O psicossomatismo da moral – Parte 3

Dos pontos apresentados anteriormente como as “qualificações de seres que não se suportam mais como seres sociáveis” (ver O psicossomatismo da moral – Parte I ), não iremos entendê-los apenas como citações breves. O poder que neles foi conferido é maior do que o meu próprio entendimento do assunto, ora por pensar que esta questão é demasiadamente densa para o que se está observando, ora por dizer a mim mesmo que teria de fazer muitas pontes para traduzir o pensamento o qual habita verdadeiramente em meu ser.

Com isso, então, começo a tentar decifrá-los sem me preocupar com acertos ou erros. Irei discutir a idéia em pontos seqüenciais para não sugestionar demais, e nem inferir mais do que o necessário.

De início, temos o primeiro ponto que comenta a incompreensão do homem de si mesmo, sempre a procurar os esconderijos para as suas desilusões. E nesta forma de fuga de seu íntimo tenta sobressair sobre a sua própria forma, de acordo com a revolta ou com o ímpeto que lhe vier a ser próprio.

No segundo ponto, entretanto, não podemos mais dizer que o homem se esconde; ele tenta espreitar sua própria condição para que sinta-se, enfim, poderoso suficiente a julgar e questionar os outros seres humanos em suas atitudes e discernimentos. Mas ainda tenta proteger-se do que desprende de si, como uma onda que tenta tocar a praia sem antes atravessar o mar.

Por fim, mas não encerrando o tema, talvez a maior contemplação de incapacidade de que o homem em crise do pensamento moral pode atingir: a falsa sensação de ubiqüidade. E esta sensação acompanhada de todas as produções pífias de suas tormentas (pseudônimos negativos), adjuntas ao medo de vislumbrá-las em teu meio são instrumentos de mais crises e indisposições sociais – mesmo que ele não mais se entenda como um ser socialmente aceito, pois isso, em seu campo de visão, não lhe é mais preciso.

A partir desta explanação, a questão passa a ser em como ele poderá conviver sem limites e regras, de acordo com as suas atitudes, sendo disposto em vários de si mesmo sem controle de existência e materialização, sem entendimento e ligação entre eles. Como ele terá meios de encontrar-se novamente em si senão por findar-se no esgotamento de sua essência atual e confluir, juntamente com novas idéias e pensamentos, até a percepção de uma nova aura construtiva. E, com a produção em larga escala de todas as vias que, de fato, irão submetê-lo ao evento cuja função será revelar quem ele é – mesmo com seus EU’s em exercício – para ele mesmo, teremos de remeter-nos à idéia de realidade e de moralidade real.

(continua…)

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O psicossomatismo da moral – Parte 2

 

Quando os indivíduos à beira desta periferia social começam a expor os pontos citados em estágios de multiplicidade – e simultaneamente -, o resultado esmera-se ao que podemos chamar de “loucura”. Mas esta loucura só será vista em seu estado laico por quem percebê-la como real.

E isto não precisa ser levado ao debate, pois a idéia de realidade terá de ser vista ao mesmo tempo que o estado “real” da moral questionada – o que pretende-se, enfim, agora, é perceber o indivíduo; vamos inferir pensamentos sobre o tema a seguir.

Na apreciação de uma nova forma de se entender como indivíduo, o homem questiona-se como pudera ser atingido pela antiga moral; e, neste passo, a antiga moral perde-se em seu entendimento pela falta de estrutura (forma e legitimidade), pois elucidam-se as razões pelas quais ela se desfez em sua mente.

A percepção não mais lhe dirige corretamente…

E diligentemente espera para ter um novo lapso temporal; e presume-se à sua espera a falta de labor de suas faculdades para entender o que se passa em tuas novas experiências.

(continua…)

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O psicossomatismo da moral – Parte 1

“Certos de que o ferimento (mental) está se agravando a cada dia, os seres humanos não disputam com o senso a busca do estado próspero de consciência. E a consciência humana aproxima-se da equalização exata para a manipulação de suas ondas e, por conseguinte, a sua própria manipulação.”

Um ponto em questão me intriga: o que passamos a perceber, neste atual momento, como valores morais? Eles, os quais sempre redigiram a nossa história de vida… o que houve?

Sabemos, antes, com tamanho apelo, que sempre houve um lapso de desconforto por parte da sociedade em relação aos debates sobre alguns temas “imutáveis” (a religião e seu absolutismo na idade média; a ética presente na acepção do iluminismo; e a dubialização da moral em grande parte da formação da sociedade capitalista vigente).

Mas, no viés destas colocações, o que ainda me instiga é o motivo pelo qual a moral se transforma tão ferozmente…

Nietzsche, em sua obra “Genealogia da Moral: uma Polêmica”, cita logo de início suas questões que o levariam a dissertar sobre o livro: em quais condições o homem inventou os juízos de valor expressos nas palavras bem e mal? E que valor possuem tais juízos? Estimularam ou barraram o desenvolvimento até hoje? São signos de indigência, de empobrecimento, de degeneração da vida?

A priori, se formos entender o que está sendo proposto – não por intermédio de Nietzsche -, a moral foi construída para que certas regulamentações sociais pudessem estabelecer-se como algo sustentável através dos tempos; que fosse entendida para qualificar os seres aos postos mais adequados dentro de uma sociedade; e a mensuração de ações (bem e mal) deveria condicionar os indivíduos (juízos) aos próprios paradigmas e não deixá-los livres – tendo ações que insultem a sociedade moral instituída – para o “bem-estar” (signo) de todos.

Mas ao passo que esta sustentabilidade, então, não seria mais plena caso um indivíduo tivesse um “desvio de estado” às custas daquela instituição (moral), aquela posição estaria fora dos padrões que ela mesma sustentara. Os mediadores das regulamentações morais estariam predispostos a inviabilizar a ação daqueles que não mais seguem-nas à risca.

E, neste ponto, quando de si o homem não mais se infere referências, quando a moral perde-se juntamente com outras condições de regulamentação (ética e religião), quais seriam as chances de encontrar-se novamente no âmbito sócio-moral adequado?

Vejamos três pontos:

1. a necessidade de impor-se como forma justa da oposição que de si não se conforta;

2. a necessidade de ser impessoal justificada em ações contra as faculdades de terceiros;

3. o irreconhecimento e criação de EU’s como forma de esconder-se de sua própria aceitação.

Os pontos citados seriam, ao meu ver, qualificações de seres que não se suportam mais como seres sociáveis, e condicionam-se aos periféricos caminhos sociais a fim de mobilizar razões justificáveis para suas atitudes.

(continua…)

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Conjugação Esperta

Uma aula de didática com poucas palavras  – pois sempre disse que a inteligência é um ponto em questão em meio a uma busca “mercadológica” pelo conhecimento.

Segue a escrita que recebi há pouco:

Era uma escola rural. Reginaldo, aluno matreiro. Usava pitadas de humor, que, além de tornar mais interessantes as nossas aulas, revelavam o quanto era inteligente.

Naquela dia eu perguntava à classe como era classificado o “aqui”. Reginaldo, sem titubear, respondeu antes de os colegas raciocinarem.

— É verbo.

— Hmm! Pois se é verbo — disse eu —, conjugue. Voz bem alta, pra todo mundo aprender, gracinha de garoto…

O rapazinho, olhar maroto, ficou de pé, fechou os olhos e atendeu ao pedido, meio sério, meio riso abafado:

— Eu aqui, tu ali, ela lá. Nós aquém, vós além, eles acolém.

 

                                                         Muito obrigado, Katiana.
                                                         sempre me servindo de textos ricos e com ótimo humor.
  

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Primeiro Passo

Sempre precisamos de algum passo à frente para se começar uma caminhada, seja ele advindo da perna direita ou esquerda. Mas o velho senso comum nos diz que começar com a perna esquerda nos dá azar. Se isso é verdade, eu não sei…

Sou destro. Não consigo escrever com a mão esquerda de jeito maneira. Mas chuto bola – ou latinha, pedrinha, amigo falso - com o pé esquerdo.

Quando nadava, tinha maior velocidade ao respirar pelo lado esquerdo.

Ao tocar violão, guitarra ou baixo, a mão direita é mais lenta do que a esquerda.

Já na bateria é diferente…

Enfim. Se fosse fazer uma análise matemática simples, diria que o meu lado esquerdo me favorece mais. Pois as coisas que faço com o lado esquerdo estão em maior número.

E neste ritmo é que levamos a vida, sempre a buscar um equilíbrio para as nossas coisas. E procuramos entender o que nos seria válido para iniciar ou findar um pensamento ou uma atitude. Do levantar abrupto pela manhã ao deitar moroso da noite, estamos, diariamente, a buscar uma primeira alternativa para as nossas ações, para os nosso pensamentos e aflições.

Espero, nestes dias em que me for possível – ou válido – postar neste BLOG, mostrar um pouco do que penso ser plausível para determinarmos um pensamento linear e livre das amarras deste nosso ciclo vicioso chamado “sociedade”. Espero, também, abrir um viés poético de nossas vidas.

Não quero expor minha vida, somente. Quero expor o que vejo, percebo, analiso. E seja o que for para ser.

Até mais!

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