Ago 2008...7:59 pm

O psicossomatismo da moral – Parte 1

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“Certos de que o ferimento (mental) está se agravando a cada dia, os seres humanos não disputam com o senso a busca do estado próspero de consciência. E a consciência humana aproxima-se da equalização exata para a manipulação de suas ondas e, por conseguinte, a sua própria manipulação.”

Um ponto em questão me intriga: o que passamos a perceber, neste atual momento, como valores morais? Eles, os quais sempre redigiram a nossa história de vida… o que houve?

Sabemos, antes, com tamanho apelo, que sempre houve um lapso de desconforto por parte da sociedade em relação aos debates sobre alguns temas “imutáveis” (a religião e seu absolutismo na idade média; a ética presente na acepção do iluminismo; e a dubialização da moral em grande parte da formação da sociedade capitalista vigente).

Mas, no viés destas colocações, o que ainda me instiga é o motivo pelo qual a moral se transforma tão ferozmente…

Nietzsche, em sua obra “Genealogia da Moral: uma Polêmica”, cita logo de início suas questões que o levariam a dissertar sobre o livro: em quais condições o homem inventou os juízos de valor expressos nas palavras bem e mal? E que valor possuem tais juízos? Estimularam ou barraram o desenvolvimento até hoje? São signos de indigência, de empobrecimento, de degeneração da vida?

A priori, se formos entender o que está sendo proposto – não por intermédio de Nietzsche -, a moral foi construída para que certas regulamentações sociais pudessem estabelecer-se como algo sustentável através dos tempos; que fosse entendida para qualificar os seres aos postos mais adequados dentro de uma sociedade; e a mensuração de ações (bem e mal) deveria condicionar os indivíduos (juízos) aos próprios paradigmas e não deixá-los livres – tendo ações que insultem a sociedade moral instituída – para o “bem-estar” (signo) de todos.

Mas ao passo que esta sustentabilidade, então, não seria mais plena caso um indivíduo tivesse um “desvio de estado” às custas daquela instituição (moral), aquela posição estaria fora dos padrões que ela mesma sustentara. Os mediadores das regulamentações morais estariam predispostos a inviabilizar a ação daqueles que não mais seguem-nas à risca.

E, neste ponto, quando de si o homem não mais se infere referências, quando a moral perde-se juntamente com outras condições de regulamentação (ética e religião), quais seriam as chances de encontrar-se novamente no âmbito sócio-moral adequado?

Vejamos três pontos:

1. a necessidade de impor-se como forma justa da oposição que de si não se conforta;

2. a necessidade de ser impessoal justificada em ações contra as faculdades de terceiros;

3. o irreconhecimento e criação de EU’s como forma de esconder-se de sua própria aceitação.

Os pontos citados seriam, ao meu ver, qualificações de seres que não se suportam mais como seres sociáveis, e condicionam-se aos periféricos caminhos sociais a fim de mobilizar razões justificáveis para suas atitudes.

(continua…)

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