Dos pontos apresentados anteriormente como as “qualificações de seres que não se suportam mais como seres sociáveis” (ver O psicossomatismo da moral – Parte I ), não iremos entendê-los apenas como citações breves. O poder que neles foi conferido é maior do que o meu próprio entendimento do assunto, ora por pensar que esta questão é demasiadamente densa para o que se está observando, ora por dizer a mim mesmo que teria de fazer muitas pontes para traduzir o pensamento o qual habita verdadeiramente em meu ser.
Com isso, então, começo a tentar decifrá-los sem me preocupar com acertos ou erros. Irei discutir a idéia em pontos seqüenciais para não sugestionar demais, e nem inferir mais do que o necessário.
De início, temos o primeiro ponto que comenta a incompreensão do homem de si mesmo, sempre a procurar os esconderijos para as suas desilusões. E nesta forma de fuga de seu íntimo tenta sobressair sobre a sua própria forma, de acordo com a revolta ou com o ímpeto que lhe vier a ser próprio.
No segundo ponto, entretanto, não podemos mais dizer que o homem se esconde; ele tenta espreitar sua própria condição para que sinta-se, enfim, poderoso suficiente a julgar e questionar os outros seres humanos em suas atitudes e discernimentos. Mas ainda tenta proteger-se do que desprende de si, como uma onda que tenta tocar a praia sem antes atravessar o mar.
Por fim, mas não encerrando o tema, talvez a maior contemplação de incapacidade de que o homem em crise do pensamento moral pode atingir: a falsa sensação de ubiqüidade. E esta sensação acompanhada de todas as produções pífias de suas tormentas (pseudônimos negativos), adjuntas ao medo de vislumbrá-las em teu meio são instrumentos de mais crises e indisposições sociais – mesmo que ele não mais se entenda como um ser socialmente aceito, pois isso, em seu campo de visão, não lhe é mais preciso.
A partir desta explanação, a questão passa a ser em como ele poderá conviver sem limites e regras, de acordo com as suas atitudes, sendo disposto em vários de si mesmo sem controle de existência e materialização, sem entendimento e ligação entre eles. Como ele terá meios de encontrar-se novamente em si senão por findar-se no esgotamento de sua essência atual e confluir, juntamente com novas idéias e pensamentos, até a percepção de uma nova aura construtiva. E, com a produção em larga escala de todas as vias que, de fato, irão submetê-lo ao evento cuja função será revelar quem ele é – mesmo com seus EU’s em exercício – para ele mesmo, teremos de remeter-nos à idéia de realidade e de moralidade real.
(continua…)
8 Comentários
Set 2008 às 2:49 am
Não sei onde irá dar tudo isso… Mas confesso que uma felicidade tomou conta de mim, pois, começo a perceber, com um sorriso no rosto e o coração cheio de esperança, que não só um, nem dois, talvez três… Mas já são alguns, que não estão dispostos a se conformar diante da realidade imposta a todos; estão dispostos a serem fiéis a aquilo que acreditam. Dispostos a questionar, a confrontar, a sonhar e até a criar. Não se escondem atrás de corações gelados e outros artifícios insensíveis. São autênticos, corajosos, intensos. São impressionantes. Assim, como suas palavras e sua vontade de entender as coisas, de descobri-las, de buscá-las.
Set 2008 às 8:58 pm
Oi amor!
Estou gostando muito dos textos e da seqüência destes! Estou aprendendo muito também.
E obrigada pelas dicas de leitura sobre Lacan (que aprendi atmbém, sem querer, no filme – risos!), lerei assim que eu terminar “Carta a D.”. Afinal, burro velho também aprende
Beijo no coração! Te amo. Muito.
Set 2008 às 7:49 pm
Isso vai ter uma conclusão? Assim, genial e tals, mas quero ver onde vc vai chegar…. e logo!
Bjs
Out 2008 às 7:43 pm
Amor, não vai continuar ou concluir?
Bom, talvez certas coisas não tenham conclusões…
Out 2008 às 1:22 pm
abandonou?
Dez 2008 às 6:40 pm
Uma pena ter abandonado uma preciosidade boa como esta.
Mar 2009 às 4:30 am
Passei por aqui, na certeza que iria encontrar algo, alguma coisa que me confortasse. A idéia de que você tivesse continuado aquilo, que soube tão bem começar.
Não gosto do fato de, estar agora, assemelhado a mim, como um ser inerte a tudo que deseja terminar, e não consegue. Não lhe falta capacidade, talvez nem lhe falte vontade. Talvez esteja faltando apenas, descobrir a razão das palavras que despertam a sua mente não mais ganham forças para serem transformadas em reais.
Mar 2009 às 5:02 am
… ou não tenham tempo para isso.